OUT!!!

Fora de casa - Frio pra caraaaio!!!Eu detesto o Circo de Soleil. Engracado, sempre achei incrivel a forma como esta nova versao de circo nos mostra outras formas de ver a arte criada nas ruas. O circo foi transformado em outra forma de poesia. Uma poesia para o primeiro mundo, com luzes, cameras, cenarios que mudam a cada apresentacao. Nao e lindo?

O circo que vimos quando eramos criancas parece ter perdido seu espaco. Naquela epoca viamos aquele leao magro e sujo, que vivia as custas dos gatos das cidades onde o circo passava… (ou voce nunca reparou que quando o circo estava na cidade a gataria dava um tempo na cantoria?), o circo das pessoas que se apresentam porque cresceram dentro dessa arte, o circo do palhaco que se apresenta ha 30 anos e faz o que sabe: a crianca sorrir. Agora a historia e outra. Talvez nossos netos so conhecam a versao do Circo de Soleil (ja comentei que detesto este circo?).

Meu segundo dia nos EUA comecou maravilhoso! Era o “Veteran`s Day”, me disse David. “Dia dos veterinarios?” – perguntei, mas logo que o som da palavra se ajeitou no ouvido, descobri que era o “Dia dos Veteranos”. Nada mais justo, afinal de contas, os Estados Unidos devem ter iniciado ou participado de quase todas as guerras da historia, alem das que foram feitas aqui dentro mesmo, so pra quebrar o gelo.

Entao, igual a um feriado normal em Palmas, todas as lojas, simplesmente todas, estavam… abertas. David e Janaina decidiram me ajudar com as roupas de frio e fomos fazer o que as pessoas fazem em um pais onde tudo pode ser encontrado a um preco irresistivel: compras! Jaquetas duplas para um frio rigoroso (comprei uma), luvas (duas, umas para cada mao), meias (oito, mas usando so duas de cada vez), calca de frio para ser usada por baixo do jeans (porque jeans e foda: quando esta quente ele esquenta e quando esta frio, ele esfria. Vai entender).

Paramos em um petshop para comprar racao para Luna (o dog da familia. Um Golden Retriver, famoso Labrador no Brasil. Ops, Brazil.) e 25 grilos para Lizzie (o Dragao australiano da familia, famoso calango no Brasil. Ops, Brazil). Bom, na volta, lembrou-se que a familia tinha um passeio: ir ao Circo de Soleil! “Voce vai ne Joao?”, me perguntaram. Respondi que a minha referencia de preco para o famoso circo eram os precos do Brazil (escrevi certo!), ou seja: eu nao ia. Porem, me disseram que por 40 dolares, dava para ficar ali, pertinho dos artistas… uau! Claro que vou!!! Of course!!

Chegando em casa, direto para o site: tudo, tudo o que voce imaginar, se faz pela internet aqui. Em qualquer Mc Donald`s, restaurante, shopping, cafe… sei la, em qualquer lugar, pode-se acessar internet sem fio… e gratuita. Por isso o negocio de lan houses aqui nao deu cer to.Porem (essa viagem tem um monte de porens…), os ingresos ja eram. Por que sera? Porem (viu?), dentro dessa estoria, o destino criou outra: Seria minha primeira noite sozinho em uma casa nos Estados Unidos!!! YES!!!! Responsa.

Dentro de casa, tudo quentinho, nada de roupas pesadas. Uma Bermuda, camisa sem manga e a velha havaiana bastam. Assim estava, assim fiquei. A noite caiu e quando deram 19:30 horas, todos estavam prontos para sair. Nao sei porque, David me deu o numero 911. Pensei que era para minha seguranca, ja que o 911 chama policia, certo? Errado. Chama tambem os bombeiros. Ha… agora entendi. Ao abrirmos a porta, Luna (o dog, lembra?) correu desesperada para a rua, mas logo retornou e, para que nao saisse novamente, esperei que todos passassem, fechei a porta e fui me despedir. Putz que frio a noite passada. Rapidamente tratei de voltar para dentro.

Ops. Que foi? Porque a porta nao… ABRE? Nossa, parece que alguem… trancou a PORRA DA PORTA!!! (ja viram esse filme, ne? Pois e, comigo foi na real. Alias, acho que vou participar do “Aconteceu Comigo” no programa do gugu). Imagina a cena: As pessoas dentro das casas vendo uma pessoa semi nua correndo atras do carro. Mas o frio nao deixava as pernas se afastarem muito e a ultima luz de esperanca (as luzes traseiras do carro, viraram a esquina). Nao sei porque, mas a frase: “To ferrado”, nao me sai da cabeca nos ultimos dias.

Voltei tremendo (nao esqueco mais o verbo shake). Vamos porta, abre-te sesamo! Nada. Putz, os bracos esfriando, as pernas congelando… a pota do nariz igual a de cahorro criado no alaska. As orelhas, nao… a essa altura eu ja nem sentia. Ok. Calma. Nada de desespero. Fui ate o vizinho, bati na porta e quando atendeu, eu perguntei: “Do you know David, your neighborhood?”. A resposta foi: “Who?”. Puta Merda, nem na rua que ele mora, as pessoas se conhecem. Voltei para casa. Olhei pela janela e Luna estava sentada no sofa vendo “CNN”. Resolvi dar a volta na casa para ver se achava outra porta. Nao tem. Uma janela encostada que eu pudesse abrir. Nehuma das 8 janelas da casa abrem. Muito bem lacradas por sinal. O filho da puta que as fez e um otimo profissional. Descobri que atras da casa, tem o bom e velho porao Americano. Mas a porta… (God save America!) estava aberta. Caraca! Sorte! Entrei batendo nos bracos para aquecer.

Protegido de um frio maior (o porao tambem nao estava la essas coisas de quentinho, alias estava um frio tipo Taquarucu em dia de lua, quando o pessoal acende uma fogueira e fica em volta), mas pelo menos nao estava ventando! Temos que ver o lado positvo das coisas, mesmo quando a temperatura e quase negativa.

Bom, para aquecer, fiz toda a sequencia da academia de ginastica de alongamento e agachamento, corri em volta das madeiras que sobraram da reforma, fiz levantamento de peso com elas, contei todos os exercicios em ingles, conversei com o “SPALDING” (essa e so pra quem assistiu “O Naufrago”). Com o corpo aquecido, resolvi ir ate a frente da casa para checar se eu havia feito algo errado ao tentar abrir a porta. Nao. Tava trancada mesmo. Luna ja estava deitada no chao, porque o sofa deve ter esquentado muito o corpinho dela. Tava passando “The Simpons” na TV de 62 polegadas. Gigante.

Xinguei mais um pouco em ingles. Vou voltar PHD em falar Fuck You, Shit, What a hell… de volta ao meu cantinho do coracao gelado, fiz mais outra sequencia de ginastica ritmica, aerobica, passos do Michael Jakson e mais um pouco de pilates. Cara, isso tudo e eu nem cheguei a suar. Cansado, desisti. Quando o desespero bateu, estiquei um pedaco de espuma e sentei no chao. Aos poucos fui relaxando, parando de sentir frio… vi uma luz no fim do tunel. Cheguei a tocar nessa luz, mas era gelada pra caraaaaaio e resolvi voltar correndo. “Melhor esperar”, pensei (segue mais uma sequencia de ginastica).

As 23:30 horas (quatro horas depois), todos chegaram. Abracei todos com muita saudade (vontade de me esquentar!!). Se eu tivesse rabo, ia abanar de tanta felicidade!! Alias, eu acho que entrei em casa meio que balancando a bunda… Contei a saga. Primeiro acharam que eu estava brincando, mas quando viram que o Luna tinha feito xixi na sala e eu parecia um picole de chocolate branco com calda de caramelo por cima, acreditaram. Foi um “OH MY GOD!!” geral. Janaina (esposa do David) ficou muito preocupada! Mas eu estava ok! David ria muito e Marina (filhota) tambem. Ela disse que foi bem feito porque uma vez eu arrastei David por dois quilometros, pendurado no engate da caminhonete em uma das nossa viagens ao Jalapao (conto essa depois). Salvou a noite. Rimos muito.

Mesmo assim, cara, eu detesto o Circo de Soleil.


About this entry