Adventure Diver

Mergulhar no lago formado pela barragem da UHE Lajeado, pode ser uma grande aventura, apesar da baixa visibilidade
Mergulho recreativo em Palmas – TO

Futuro do mergulho
O mergulho recreativo no estado do Tocantins não é exatamente uma atividade que proporcione qualidade e segurança aos que se aventuram nesse esporte. O mercado pouco atrativo às empresas do ramo, transferem a responsabilidade para o corpo de bombeiros, que auxiliam de forma exemplar a todos que praticam scubadive. Mergulhar utilizando equipamento Scuba (Self Contained Underwater Breathing Apparatus), exige disposição e bom humor. Equipamentos pesados, planejamento, deslocamento e montagem. Somente a primeira fase da brincadeira deixa sem fôlego a quem não está acostumado. Mas o processo também envolve boas risadas, descontração e a oportunidade de se conhecer pessoas diferentes, o que faz valer todo o esforço.
Domingo de sol

(e): João Di Pietro, Julius Arraes, Eli Ramos
Palmas, nove horas da manhã e nenhuma perspectiva do que fazer o resto do dia. Telefone toca e a ligação tratava-se de um convite para um refrescante mergulho no lago (sem nome até onde sei) formado pela barragem da Usina Hidrelétrica do Lajeado, a 60Km de Palmas. Amigos com voltagem além dos 220 habituais podem proporcionar a solução para o tipo de problema “nada o que fazer”. Eli Ramos e Julius Arraes são assim. Dificilmente param em casa nos fins de semana. Quando não está mergulhando, basta olhar para o belo céu desta terra e teremos grandes chances de poder observar Eli saltando com pára quedas ou voando em seu parapente (com a desculpa de ser instrutor).
Julius também tem no sangue, o vírus incurável da adrenalina e não fica para trás. Também salta e é instrutor de mergulho. Não sendo estas, suas atividades principais, logo se percebe que são apaixonados por esportes radicais. Ou loucos. A verdade é que acima ou abaixo do nível do solo, eles estão sempre fazendo algo.
Eu, como não tenho muito senso, resolvi participar. Moro no terceiro andar de um prédio sem elevador. Imagine quatro lances de escada com cilindros de ar comprimido, roupa de neoprene, reguladores (por onde se respira), computador de mergulho, colete equilibrador, lastros (peso), máscara, nadadeiras e máquina fotográfica nas costas subindo e descendo. Na segunda viagem já pensava em retornar a ligação e dizer que eu não iria. Mas não podia perder a oportunidade de participar do meu primeiro mergulho no Tocantins. Local definido, lanches e repositores energéticos comprados e fomos para água. Dez minutos levando equipamento do carro para a margem, vinte minutos colocando roupa, lastro, máscara, bota e nadadeira, meia hora de snorkeling (nado na superfície com aquele tubo que se respira pela boca sem ter que levantar a cabeça para fora da água) para relaxar e então, finalmente, scuba nas costas!
Agora é só descer né? Errado. Meu lastro era insuficiente para poder afundar. Julius volta a nado, os cem metros que já tínhamos feito para que eu pudesse, finalmente, mergulhar. Descemos e curtimos, certo? Ainda não. Subimos de novo, pois tinha uma certa corrente no local e resolvemos mudar o ponto de descida. Agora sim! Sem corrente! Curtição, certo? Ainda não. Com baixa visibilidade e pouca experiência, me perdia do grupo a cada 5 minutos. Nessa situação, o planejado era que todos subissem para o reencontro.
Depois de me perder umas quatro vezes, e com a adrenalina mais baixa, finalmente a curtição veio. Mergulhar é uma atividade sem igual. Nos transporta literalmente para outro mundo. Embaixo da água percebemos todos os nossos sentidos. Respiração e audição ampliados ao extremo! Exceto pela direção de onde vem o som. A visão depende da água. Submerso, imaginei a dificuldade que pessoas com necessidades especiais enfrentam todos os dias. Voltando à minha realidade, quarenta minutos depois, acabou o ar, acabou a brincadeira, certo? Errado de novo. Imagina se os corredores de maratonas tivessem que correr tudo de volta? Como não dava para ficar no meio do lago esperando a vida passar, imagine o que tive que fazer.
Quase morto de cansaço, chegamos a margem. Nem passou pela minha cabeça que o mundo não pára enquanto estamos submersos. Durante o tempo de mergulho, nossa equipe de apoio, fortemente instalada na margem, presenciou um grupo de jovens bêbados, que, por causa da cachaça, não sabiam o quanto eram desafinados. Sem sucesso, foram embora. Além disso, um outro grupo de casais que foram se refrescar (um deles mergulhador por sinal), tiveram o passeio interrompido por uma senhora arraia que morava por aquelas bandas e, sentindo-se ofendida, ferroou uma das meninas. Abandonaram o passeio em direção ao hospital. Isso fora as milhares de picadas de mosquitos que nosso time terrestre teve que encarar. Agora, o momento relax é total! Basta desmontar tudo, tirar a roupa molhada, colocar tudo no carro, voltar 60Km até meu apartamento e pronto! Acabou, né? Que nada. Tem quatro lances de escada para subir com tudo de novo.
Fotos by Tatiane Yoshimi
Veja o video da aventura no link: http://www.youtube.com/watch?v=ij9vdtyiPGg
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- Published:
- February 2, 2011 / 11:22 pm
- Category:
- Dia a Dia
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